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Quem é responsável pela eleição de Trump?

  • 10 de nov. de 2016
  • 3 min de leitura

La Tribune des travailleurs


A eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos prenuncia novos ataques brutais contra os trabalhadores americanos, os jovens, os negros e os migrantes. Anuncia igualmente, em todos os domínios, novos ataques contra os direitos democráticos, os direitos das mulheres, os direitos sindicais, etc. Anuncia, ainda, o desenfreamento de novas agressões contra os povos do mundo inteiro. Em França, o anúncio da eleição de Trump é utilizado pelos representantes dos partidos de “esquerda” para apelar à união contra os “populistas e as extremas direitas” (1). Para os trabalhadores e os militantes que, em França, observam com legítima inquietação os acontecimentos do outro lado do Atlântico, é importante repor os factos. Ei-los, os factos: a principal responsabilidade pela eleição de Donald Trump recai nas escolhas dos dirigentes do movimento operário americano e das principais organizações negras. Renunciando a uma política operária independente, esses dirigentes deram o seu apoio à candidata de Wall Street e da classe capitalista: Hillary Clinton. Não é uma estratégia nova. Em 2008, os dirigentes da principal central sindical, a AFL-CIO, foram mandatados pelo seu congresso para exigir a instauração de um sistema de seguro de doença baseado no salário diferido, o “single payer health care”, questão central, quando 52 milhões de americanos estavam privados de cobertura médica de qualquer espécie. No entanto, esses mesmos dirigentes decidiram dar o seu apoio ao candidato do Partido Democrata, que não demorou a estabelecer um sistema de seguro privado, para maior benefício dos capitalistas. Esse sistema — Obamacare — tem por consequência as despesas de saúde das famílias operárias terem disparado, o que pesou na rejeição da candidata democrata que se manifestou neste dia 8 de Novembro de 2016. De maneira mais geral, os planos de desmantelamento da indústria continuaram sob a presidência de Obama, tal como a privatização massiva dos sistemas de saúde e educação. Durante essa presidência, a política de guerra ampliou-se a todo o planeta, acarretando a desagregação de nações inteiras e o êxodo de milhões de pessoas. Sob Obama, os assassinatos de negros pela polícia multiplicaram-se a um ritmo sem precedentes, enquanto o número de migrantes deportados para o México bateu recordes. É de admirar, nestas condições, que amplos sectores da juventude negra, apesar de mobilizados no movimento Black Lives Matter, se tenham recusado a votar? É de admirar que amplos sectores da classe operária se tenham abstido? É de admirar que outros, impelidos pelo desespero de um declínio económico e social ininterrupto, se tenham deixado arrastar pela demagogia populista e reaccionária de quem se apresentava como candidato anti-establishment? Repita-se: mais uma vez se demonstra que a política do “mal menor”, em nome da qual os responsáveis das organizações operárias apelaram a apoiar Clinton, resultou na prática naquilo que eles apresentavam como o “mal pior”, a eleição de Trump. Já aconteceu antes na história. Aqueles que hoje, em França, em nome da luta contra o “mal menor”, pretendem justificar a aliança com os partidos do governo, mais não fazem do que preparar as condições para o “mal pior” francês. Em França, como nos Estados Unidos, a defesa da democracia, das conquistas operárias, a luta contra a guerra, contra o racismo, contra a caça aos imigrantes, passa pela independência das organizações operárias. Recusar a submissão aos partidos e instituições capitalistas de todo a espécie significa, nos Estados Unidos, a necessidade de a classe operária e as organizações negras lançarem os fundamentos da sua própria representação política, fiel aos interesses operários. Significa, em França, combater pela ruptura com a União Europeia e a Vª República, pela revogação de todas as contra-reformas anti-operárias, pela Assembleia Constituinte soberana. Contra a pior reacção, a frente única dos trabalhadores e das suas organizações, em bases de classe e em plena independência, é a única resposta apropriada. (1) Idênticos termos são utilizados nos comunicados publicados hoje pelo Partido Comunista Francês e pelo Partido Socialista. 9 de Novembro de 2016, 17 horas

La Tribune des travailleurs de 16 de Novembro publicará um dossier especial sobre o significado e as consequências da eleição presidencial americana, preparado em conjunto com os nossos correspondentes nos Estados Unidos. Anotem este número, assinem!


 
 
 

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